A mesma ondulação
Quanto tempo leva uma ondulação do Atlântico Norte à Galiza e às Canárias?
O swell não viaja todo à mesma velocidade. As ondas de período longo vão mais rápido, por isso uma única depressão chega repartida: primeiro as longas e organizadas, depois o grosso.
É a mesma ondulação partilhada: a mesma energia a sair do Atlântico Norte, dois caminhos, duas horas de chegada. As bandas longas abrem caminho às curtas.
Cada raio parte da zona de geração no instante 0 e desce à velocidade do seu período. Onde cruza a linha de uma costa, essa é a hora em que essa banda de período chega. Os raios não são a mesma onda: são a mesma energia repartida.
A banda de 11 s que há agora na zona de geração chega a Pantín por volta das 06:54 de quinta, depois de 657 km. As bandas mais longas adiantam-se; o grosso vem atrás.
A banda de 11 s que há agora na zona de geração chega a El Confital por volta das 06:10 de sexta, depois de 2095 km. As bandas mais longas adiantam-se; o grosso vem atrás.
Diferença de chegada entre as duas costas: +11 h na Galiza contra +1 d 10 h nas Canárias, +23 h de desfasamento. A distância manda: umas horas para o Atlântico ártabro, meio dia ou mais para o extremo sul.
Comparamos hora de chegada, não altura de onda. O nosso cálculo diz quando chega a banda dominante; a previsão diz quando o mar pica a sério (máximo de swell em 72 h). Sem constantes ajustadas.
Três constantes e nenhum fator de ajuste. Se um número sai errado, é o modelo que está errado — isso é intencional.
- Velocidade de grupo em águas profundas: Cg = gT / 4π ≈ 1,5613 · T (m/s).
- Tempo de viagem: horas = (km · 1000) / Cg(T) / 3600.
- Distância por círculo máximo (haversine, R = 6371 km) entre coordenadas declaradas.
Não segue uma depressão concreta: a zona de geração é um ponto fixo. Não considera a refração na plataforma nem as sombras das ilhas. Assume águas profundas todo o caminho. Por isso aparece sempre ao lado da previsão, nunca no seu lugar.